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Leis e afins

Leis e afins

31
Jan19

Assistência a filhos por doença

Daniela Fradinho Ribeiro

Bom dia!! Muitas gripes por esse lado? 

Mães, sãs e salvas, como sempre! Crianças e pais doentes (os últimos em estado terminal, deduzo). 

Meus queridos, quem tiver de faltar ao trabalho para assistência a filho, importa saber que a falta é justificada e que podem pedir um subsídio à Segurança Social. (Acrescento que, em regra, sempre que houver um subsídio associado, não há retribuição!)

O que é um subsídio para assistência a filho? É uma prestação em dinheiro atribuída ao pai ou à mãe, para prestar assistência imprescindível e inadiável a filho, por motivo de doença ou acidente, desde que reunidas determinadas condições. São elas: 

Ambos exerçam atividade profissional e que outro progenitor não requeira o subsídio pelo mesmo motivo, ou esteja impossibilitado de prestar assistência. Para o efeito, é necessário que o beneficiáio tenha:

  • Prazo de garantia de 6 meses civis com registo de remunerações;
  • A situação contributiva regularizada perante a Segurança Social até ao fim do terceiro mês imediatamente anterior ao do impedimento - se estiver abrangido pelo regime do seguro social voluntário;
  • Atenção que a atribuição do subsídio depende, ainda, do gozo das respetivas licenças, previstas no Código do Trabalho, no caso dos trabalhadores por conta de outrem, ou períodos equivalentes nos restantes casos.

Pode acumular com:

  • Indemnizações e pensões por doença profissional e/ou por acidente de trabalho
  • Pensão de velhice, invalidez relativa e sobrevivência concedidas no âmbito do sistema previdencial ou de outros regimes obrigatórios de proteção social
  • Prestações de pré-reforma concedidas a trabalhadores a exercer atividade profissonal
  • Rendimento social de inserção
  • Complemento solidário para idosos.

Não pode acumular com:

  • Rendimentos de trabalho
  • Subsídio de desemprego
  • Subsídio de doença
  • Prestações concedidas no âmbito do subsistema de solidariedade (exceto rendimento social de inserção e complemento solidário para idosos)
  • Prestações emergentes do mesmo facto desde que respeitantes ao mesmo interesse protegido, ainda que atribuídas por outros regimes de proteção social.

Podem consultar estas e outras informações aqui:  http://www.seg-social.pt/subsidio-para-assistencia-a-filho

 

Beijinhos a todos e boa semana!

Daniela Fradinho Ribeiro

30
Jan19

Privacidade

Daniela Fradinho Ribeiro

Bom dia gente linda!! Sei que queriam um sol radiante para vos animar o dia, mas enfim, aproveitem os sofás, as lareiras e as mantinhas enquanto podem. (Ai, que eu gosto tanto!) Mas, para os que estão nessa mesma posição, deixem-me que vos diga que a vingança se serve fria! Ahahahah!

Hoje queria falar-vos de privacidade, ou da falta dela.  Este é um tema que, nos últimos anos, tem dominado grande parte da minha atividade profissional, pelas alterações legislativas que todos conhecem (RGPD), como pelas horas a estudar (e a ensinar), como pela imensidão de disparates associados ao assunto. É um tema que adoro e do qual irei escrever, certamente, muitas vezes. Mas, para já, enquanto estão aí no quentinho, o que é preciso que saibam? Enquanto estamos no nosso sofá, uma imensidão de ataques cibernéticos ocorrem. Só para terem uma noção, poderão consultar um site que disponibiliza, em tempo real, essa informação. Aqui está ele ;) 

Slide024.png

E, porque a minha maldade não termina por aqui, disponibilizo um site que vos informa se o vosso email ou site foram alvo de uma intrusão. Pumba! Acabou-se o descanso!! Quem é má, quem é?

Slide026.jpg

Até breve!! 

23
Jan19

Eles andam aí!!

Daniela Fradinho Ribeiro

Meus queridos, 

tenho sido confrontada com visitas inspetivas inesperadas a clientes meus...que, normalmente, resultam em asneira. E porquê? Porque a legislação é muitaaaaaaa e as obrigações para quem tem um estabelecimento comercial ou uma determinada atividade económica são imensassssss! Mas há muitos sites que podem consultar para vos guiar no cumprimento dessa panóplia de obrigações. A legislação encontra-se dispersa e obriga a uma procura intensiva e permanente atualização. Procurem, essencialmente, informação governamental. Há uma imensidão!

Estejam atentos!

ACT: O site tem informação muito relevante sobre o que deve ser comunicado, autorizado e afixado. Saberão que documentos têm de estar visíveis. (A propósito, uma empresa minha cliente pondera fazer uma parede inteira de cortiça, tendo em conta a imensidão de documentos). Atenção que, dependentemente do tipo de estabelecimento, há mais ou menos informação que tem de estar visível.

http://www.act.gov.pt/(PT-PT)/CENTROINFORMACAO/Paginas/default.aspx

ASAE: Assim como a Autoridade para as Condições do Trabalho, também a ASAE disponibiliza informações sobre matérias específicas, que permitem lembrar e alertar os agentes económicos para as regras a cumprir no exercício da sua atividade económica.

https://www.asae.gov.pt/espaco-publico/perguntas-frequentes

Plataforma comunicar ao consumidor: Nesta plataforma poderão criar um painel relativo ao vosso estabelecimento e à medida que vão preenchendo os campos, terão indicação dos disticos aplicáveis ao caso concreto. Melhor, poderão imprimi-los. 

https://comunicarconsumidor.gov.pt

Associações de comércio: Muitas associações disponibilizam não só apoio jurídico, como também cartazes informativos, disticos e outros documentos para garantir o cumprimento das obrigações legais por parte dos associados. 

 

Para quem tem um estabelecimento comercial é crucial que respeite as obrigações que lhe são impostas, sob pena de incorrer em contraordenação e lhe vir a ser aplicada uma coima, o que é prejudicial, não só  financeiramente, como em termos reputacionais. Na minha humilde opinião, o cumprimento das obrigações está intrinsicamente ligado ao rigor e profissionalismo. Pensem nisso. Não custa nada. Façam uma check list da vossa atividade económica e, se detetarem falhas, façam de imediato o documento ou comprem o que faltar. 

Continuação de uma boa semana a todos, sem coimas!

Daniela Fradinho Ribeiro

26
Abr17

A verdade da mentira

Daniela Fradinho Ribeiro

Quando recorremos a um advogado ou a um médico, por exemplo, sabemos de antemão que vamos ter de contar tudo, mas mesmo tudo. Ao médico temos de informar que fumamos, bebemos uns litros de vinho por dia, que comemos pastéis de manhã, à tarde e à noite. Ao Advogado escondemos que afinal roubamos, porque se ele não souber a verdade, vai defender-nos melhor porque estamos perante uma verdadeira injustiça!! E como ele não gosta de injustiças vai trabalhar arduamente para que seja feita justiça, digo, descobrir, o que designamos de verdade material. O problema é que a verdade, essa marota, é descoberta rápido demais, em alguns casos. E chegamos a um julgamento cheios de convicção que vamos garantir justiça ao nosso cliente, coitadinho, que estava no local errado à hora errada...e catrapumba....lá vem a verdade esbarrar em nós...e toda uma defesa, horas de estudo e de preparação vão cano abaixo, que é como quem diz, ficamos sem pio. Claro que roubou! Dahhh! 

Pior, nem para nós olham com vergonha de nos ter mentido. 

E a minha vontade é dizer: Eu não sou sua mãe! Não ralho nem o ponho de castigo. O meu trabalho é garantir que tenha um julgamento justo e que a justiça seja feita, defendendo os interesses do cliente o melhor possível. Mas isto só é possível dizendo quando, como e onde, que é como quem diz, quantos copos, doces ou cigarros.

Malvados!

 

 

24
Abr17

Sonhos, gastos e invejosos

Daniela Fradinho Ribeiro

Saber o que é melhor para nós, para os nossos, não é tarefa fácil.

Fazer escolhas, por mais simples que sejam, é, na maioria das vezes, tarefa quase de vida ou morte! (sabe Deus o que custou escolher a escola da minha filha aos 6 anos! Fui a cerca de 8 escolas diferentes. Li regulamentos internos, projetos educativos, menus, falei com diretores, com auxiliares, com professores, ... Imaginem quando, e se chegar, a Universidade!! ) Ora, mas há quem nunca o tenha feito e se sinta realizado.

Porque será que o melhor para os outros não é o melhor para nós?

É tão linear quanto isto: somos diferentes, temos ambições diferentes, temos histórias diferentes, temos sonhos diferentes, temos vidas diferentes.

Escolher um carro, uma escola para os nossos filhos ou simplesmente um par de calças, evidencia toda uma panóplia de diferenças.

Ora, há quem ande com carros cujo preço é igual a uma casa, há quem compre carteiras pelo valor de salários inteiros, há quem gaste numas férias o que outros não poupam a vida toda, há quem gaste em colégios o mesmo que outros gastam numa viagem a Bora Bora. Sooooo what? 

Acrescento eu, quem somos nós para julgar a carteira, digo, as decisões dos outros? Que me lembre nunca nenhuma alma ousou pedir-me emprestado para comprar uma Vitton! 

É verdade que temos o triste hábito de criticar o que aquele gasta naquilo, e outro noutra coisa. 

Mas alguém já se perguntou porquê? 

Porque achamos que o que queremos, sonhamos, gastamos, é o correto. 

Eu prefiro ter uma boa casa a um bom carro. Eu prefiro apostar na educação dos meus filhos, em actividades e vivencias únicas, a ir de férias.

Mas não sou absolutamente ninguém para criticar as opções dos outros. O que para mim é a melhor escola do mundo, para os outros é o oposto. O que para mim é um carro horrivel, para outro é o verdadeiro sonho. 

O que sei é que os sonhos que tinha de criança, já os concretizei, mas outros há que vão surgindo. E aqui vamos nós trabalhando para um dia termos a possibilidade de optar por concretiza-los ou não. O melhor de tudo, é nunca deixar de sonhar, lutar e acreditar. Sonhem, trabalhem, poupem ou gastem, mas sejam felizes com as vossas escolhas.

02
Mar17

O medo

Daniela Fradinho Ribeiro

"O medo vai ter tudo, tudo...

penso no que o medo vai ter

e tenho medo

que é justamente o que o medo quer..."

Alexandre O'Neill

 

Aquilo a que uns chamam de  lar, para outros é uma prisão. Aquilo a que uns desejam voltar no final do dia, outros desejam nunca regressar.  Não fazemos ideia de números exatos. Sabemos, contudo, que há inumeras pessoas que entrando em casa   não recebem um beijo ou um sorriso. Vivem na insegurança, na humilhação, nas variações de humor do companheiro/a. Não esperam calma, paz e harmonia. Têm gritos, violência sob todas as formas. Não é uma visão de um estrato social empobrecido. Desengane-se quem assim pensa. A violência doméstica é independente de qualquer estrato sócio-económico, sexo, cultura, raça, religião, local, cultura, profissão. É, claramente, uma forma que o agressor tem de impor à vitima a sua vontade, de a subjugar, privar ou dominar. Gritar e bater são uma manifestação ilegitima de poder, de controlo, de subordinação e/ou de imposição. E é verdade que, uma criança vítima de maus tratos (note-se que, em alguns ordenamentos juridicos uma palmada é suficiente para preencher um tipo legal de crime e, por via disso, levar alguém a ser condenado a uma pena privativa de liberdade) tem maiores probabilidades de vir a ser maltratante, a desenvolver inúmeros problemas psicológicos, de desenvolver sentimentos de limitação, inferioridade, medo, depressão,falta de auto-estima, entre outros. É um mito "uma palmada nunca fez mal a ninguém". Fez e faz. A violência é, acima de tudo uma demonstração de ignorância, o desconhecimento de como lidar ou reagir a um confronto. É a imposição de uma vontade sobre alguém, tendencialmente, mais fraco. Também é um mito "Entre marido e mulher ninguém mete a colher". Em 2015, 29 mulheres perderam a vida vítimas de violência doméstica. Muitos dos casos eram do conhecimento do meio onde se inseriam. Consequência dos movimentos feministas das décadas de 70 e 80, surgiram em Portugal instituicões de apoio à vitima (na altura centradas quase em exclusivo na vitimização da mulher).

Como é do conhecimento geral, a violência é um problema fortemente enraizado na cultura portuguesa. Era normal, banal e aceitável que um pai/ marido, tendo em conta a imagem de superioridade masculina que existia no país, a falta de informação, a ausência de escolaridade, e uma cultura política que assim o defendia, que fosse "dono e senhor" dos seus filhos e sua esposa, e portanto, podendo "educa-los á sua imagem". Felizmente, o tema da violência (seja doméstica, seja entre crianças e jovens) tem vindo a ganhar importância e relevo, unindo esforços politicos, instituicionais, administrativos, policiais. Várias iniciativas têm vindo, nos últimos anos, a ser aplicadas com o intuito de chamar a atenção para o problema. Nas escolas, os estudos demonstram que uma grande percentagem de jovens, consideram "normal" comportamentos violentos. Para breve (FINALMENTE!) está a introdução nas escolas de ensino/ partilha de cidadania, e, sobretudo, no que concerne à igualdade de género, vem colmatar uma lacuna há muito detetada, o que vem dar um grande (mas muito grande) passo na erradicação deste triste fenómeno. Compete-nos a nós, enquanto pais e educadores, ensinar (dando o exemplo) às crianças a valorizar o seu ser e os outros, a saber que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros, que somos autónomos, independentes, merecedores de respeito. Acima de tudo, que todos nascemos para sermos felizes, mas que essa felicidade só de nós depende e que nada nem ninguém tem o poder de a roubar. 

 

01
Mar17

Educação

Daniela Fradinho Ribeiro

Educação é coisa que se aprende de criança, ou talvez não. Ontem a minha filha perguntou-me: mãe porque é que aquela senhora cumprimentou toda a gente e a mim não? (coisa que reparei). Até tenho medo das observações dela! Eu ainda finjo que nada vi, nada sei, nada ouvi. Até me pode perturbar mas como não sou de confrontos, guardo a minha opinião. Errado! No mesmo dia, apetece-me fumar dois cigarros ao mesmo tempo, coisa que nem posso fazer porque deixei de fumar. Então quem sofre a minha revolta? Até sei...coitadinho...(Viste amor, eu sei!!) Mas que posso eu dizer? As pessoas são burras? É preciso dizer tudo? Segundo uma teoria há muito defendida pela Exma senhora Maria joão, minha mais que tudo, minha bff, meu amor maior, minha irmã, tenho um defeito: dou 100%, magoam-me e faco o quê? Tiro os 100%. Agora, aqueles a quem não dou a mesma atenção, amor, carinho, amizade, já sabem!! Tenham medo, muito medo, porque em alguma altura, fizeram algo que me feriu e eu não falo. Disseram mal de mim?  Temos pena. Passo a ignorar, desprezar  e a não me importar. As palavras guardo-as para o meu trabalho. Em termos pessoais, e no que toca às coisas que me magoam, só silêncio!! Ela não! Graças a Deus é desbocada!. Sabe a importância da educação para a mãe... Saber cumprimentar todas as pessoas com as quais se relaciona: o condutor da carrinha da piscina, a cozinheira do colégio, as auxiliares, TODOS, saber agradecer, retribuir, ajudar, apoiar. Tudo se resume a educação. Se há coisa que me incomoda é que não me cumprimentem, pior, que me virem a cara para não me dizer bom dia!! Não é bom dizer bom dia? (Digo-vos de coração, que os melhores bons dias, os que mais enhem a alma, são os do Porto. Há melhor que " Bom dia menina!". E com aqueles sorrisos de gente bem disposta, amorosa e afável! Oh, gente tão boa essa!)  Respondo à minha filha: porque nem todos tiveram a educação que eu te dou. Regras básicas: obrigado/a, por favor, bom dia, boa tarde, boa noite, com licença, e por aí fora. Não, não é preciso ir para a Universidade para aprender isto, nem ter um BMW ou um Mercedes, ou vestir os filhos com grandes marcas. Nem, por outro lado, ter e ser implicam saber  regras de boa educação. Mas no meu mundo, implica ligarem-me ou encontrarem-me na rua, pedirem-me informações ou favores, e nem por favor ou obrigado/a me dizerem, e até podem estar os meus filhos ao meu lado, que os ignoram completamente, nem um único "Olá Tomas", "Olá Matilde". Pois é... Mas mãe que é mãe sente as dores dos filhos a dobrar, a triplicar. Por isso, o melhor que posso fazer, é ensiná-la a continuar a demonstar que o nível não vem da roupa, do carro, das viagens ou da casa. Tem a ver com o que fazes, o que dás de ti, o que te move, a importância que os outros têm. E a minha filha tem sim, muito nível!! E do alto dos seus 6 anos podia ensinar tanto a tanta gente! A falta de educação levou-me aos limites. Sou má? Não. Exigo respeito, para mim e para toda a minha familia. E o respeito implica que saibam que trabalho, como qualquer pessoa, para pagar a escola dos meus filhos, a saúde, as actividades, as contas da água e da luz, tudo. Por isso, e por respeito aos meus pais, a quem devo tudo o que tenho, e aos meus filhos, por quem faço tudo na minha vida, deixei de atender telefonemas ou mensagens com pedidos de esclarecimento, dúvidas ou qualquer tipo de obtenção gratuita de informações. Sabem porquê? Porque pago todos os cafés que tomo, todos os cortes de cabelo que faço, todos os restaurantes onde como. E a que propósito dou informações a pessoas que nunca se preocuparam em ver os meus filhos,  a minha sobrinha, ajudar os meus pais ou irmã, ou a perder um tempo que fosse com qualquer uma destas pessoas? Tudo se resume a educação.  Como eu te amo e me orgulho de ti, minha pipoca!! Continua sempre bem educada, porque isso sim, é digno de se evidenciar! E sim, ofereco o meu tempo, ofereco o meu trabalho, ofereco a minha ajuda e todo o meu carinho, mas não aos que não sabem que eles, e nós, existimos. Seja familia, seja amigos, seja conhecidos.  Quanto mais damos, mais recebemos. Não queiram ter tudo quando nada dão. Tenho dito! Bom dia!!

23
Fev17

A noite já não é o que era

Daniela Fradinho Ribeiro

Lembro-me de estudar até ir para o exame. Ininterruptamente. Toda a noite. Na mesa tinha café, coca-cola, redbull. Os olhos não fechavam, nem que quisessem, dada a quantidade de cafeina e afins. Terminava, ia tomar o pequeno almoço e dirigia-me para o exame. Acreditem que só quando parei de o fazer, comecei a ter realmente boas notas. Mas onde é que eu tinha a cabeça? Mas alguém no seu perfeito juízo acha que sem dormir tem algum sucesso? Bem, eu, na altura. Santa ignorância. Continuo a adorar estudar e trabalhar durante a noite, dada a tranquilidade e o silêncio. A diferença reside na consciência de que, efetivamente, preciso de dormir. Mais, os meus dias são uma correria, tenho os meus filhos, responsabilidades que não se tem na faculdade. Não tenho a minha mãe a trazer-me as refeições quando estudo, nem absolutamente nada em casa gira em torno da necessidade de o fazer. Lembro-me que em época de exames, a casa dos meus pais parava. Tudo se concentrava para esse objetivo. Havia mais silêncio, havia respeito, havia apoio ilimitado. E cheguei onde cheguei!! Agora não o posso fazer. Mas isto de se crescer tem muito que se lhe diga. Chego a casa mais morta que viva. E se mais morta que viva tenho ainda de trabalhar, o caos instala-se. Anteontem à noite tive de o fazer. A agenda torna-se curta quando queremos estar em todo o lado, fazer tudo e ajudar tudo e todos. Ser-se  super mulher tem dias. Deitei os meus filhos e fui trabalhar. Não fiquei até de madrugada, claro está. No dia seguinte, a escola não pára, a fome deles também não e o meu trabalho também não. Mas há fases de tal maneira dificeis de gerir, que chego a ter medo de mim própria. E o pior aconteceu. Lembrei-me que o meu carro estava um nojo andante. No meio do caos instalado na minha vida, essa constatação tornou-se de uma importância quase vital, vá-se lá entender! Parei para tirar os brinquedos dos meninos para a mala do carro. (Mãe que é mãe tem roupa, migalhas e brinquedos nas viaturas). Arranquei....com a porta traseira aberta... Em andamento ouvi um estrondo e pensei "esqueci-me da porta aberta"! Entre o ficar de boca aberta e o pânico da eventualidade de ficar sem porta, a 50 metros estava a estação de serviço onde ia deixar o carro. Entrei, saí do carro e continuei de boa aberta. E só pensava: a minha porta bateu sabe-se lá onde! Esqueci-me da porta aberta! Vi que tinha uma marca, mas nada de especial, curiosamente. Continuava com porta, mas em estado de choque com o esquecimento. Fui tomar café enquanto esperava que me limpassem o carro. Sinto uma sombra a aproximar-se. "Desculpe, a menina bateu-me!". Imaginem que fiquei congelada a pensar " Claro que tive de bater em qualquer coisa!".  Morri de vergonha. Não fugi, não me escondi. Mas pareceu! Ouvi o estrondo da porta beter em qualquer coisa e fiquei em choque. Parei mesmo à frente! Pormenor importante: Esqueci-me de ver onde a porta tinha batido. Aliás, nem me lembrei de tal coisa naqueles 50 metros que andei! Agora, o melhor. A minha porta foi bater num carro novo que um reboque descarregava para entregar ao novíssimo proprietário! Acho que arruinei a alegria dessa pessoa... Como é evidente assumi a minha responsabilidade e pedi mil desculpas. Mas o mais grave é que percebi perfeitamente o meu  estado fisico e psicológico. Foi o cansaço a provocar o esquecimento da porta aberta, a falta de reação ao impacto. Ontem trabalhei 12 horas, os meus filhos jantaram às 21h e sinto-me prestes a rebentar pelas costuras. E dou por mim a perguntar porque não tem o dia 48h...para poder fazer mais coisas, como ir ao ginásio, um curso de culinária para o qual me acabaram de convidar, tratar de mais recados, aceitar mais clientes e acima de tudo passar mais tempo com os meus filhos. Vá-se lá entender. Descansem e divirtam-se. Podemos ter tudo mas se não temos tempo para sermos felizes, isso vale de quê?

22
Fev17

Vitima de Crime

Daniela Fradinho Ribeiro

Hoje, 22 de Fevereiro, é o Dia Europeu da Vitima de Crime.

Ser vítima de crime é uma experiência única, difícil, avassaladora e traumática. 

Qualquer um de nós, a qualquer altura, poderá tornar-se numa vitima. Evidentemente que a forma com lidamos ou reagimos a situações traumáticas não é igual. Podemos prosseguir com a nossa vida, como se nada tivesse acontecido, como pode o trauma ser tal, que exija um acompanhamanento médico e/ou psicológico.

As formas de reação podem variar, acima de tudo pelo grau de gravidade do crime contra nós (ou pessoas próximas) cometido. As vitimas dos crimes de homicidio, serão as pessoas próximas ao falecido. Claro está que, à partida, o sofrimento que acompanha essas familias não será o mesmo que eventualmente padece uma vitima de furto, por exemplo. 

Cada pessoa reage à experiência traumática de forma autónoma e o que para uns pode ser bastante perturbador, para outros nem tanto.

De qualquer forma, qualquer acontecimento que possa destabilizar as "nossas" paz, segurança e tranquilidade, tende a marcar profundamente a forma como daí em diante passamos a viver e a reagir a determinados acontecimentos.

Para apoiar estas vitimas, foi criada uma linha especifica: 116 006 e diversos gabinetes com estrutura heterógenea, nomeadamente com intervenção nas áreas juridica, psicológica, entre outras. 

Resta acrescentar que estes serviços são gratuitos e confidenciais e foram criados para ajudar a ultrapassar o processo de vitimação. Para todos aqueles que são ou foram vitimas de um crime,  lembrem-se que não estão sozinhos e há, efetivamente, entidades, como a APAV, que podem ser cruciais no processo de superação. 

 

14
Fev17

Dia dos namorados

Daniela Fradinho Ribeiro

Hoje o dia nada tem de romantismo. É terça-feira, chove imenso, tenho o marido a trabalhar e filhos nas respetivas escolas, e uma imensidão de trabalho! Até a reunião intercalar do colégio da minha filha calhou hoje. Enfim... E embora o amor tenha de ser celebrado todos os dias, os meus amores merecem um mimo especial. Então, não sei como, ou quando, mas há-se surgir um mesa ao jantar iluminada com velas, decorada com três rosas que ainda não foram compradas mas suponho que estejam à minha espera, comida que todos adorem, mas que não faço ideia qual seja, de onde vem e quem a faz, e música ambiente, que por estes dias há-se ser Justin Bieber (qual xana toc toc, qual quê). Acima de tudo, levarei todo o meu amor por estes três pestinhas, que sabem, que a mamã pode dormir pouco, trabalhar muito, muitissimo, mas desdobra-se para os ver sorrir. E sim, logo terei o meu merecido dia dos namorados, porque não trocava um abraço e um beijo por nada deste mundo! Obrigada por me fazerem tão feliz! 

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